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Áreas Expositivas

Escultura

“A escultura é a arte que emprega como meio de expressão os volumes, é a expressão pelo volume, volume plasticamente organizado, volume a que se impõe uma certa forma, uma forma recriada com ou sem qualquer significação, com ou sem qualquer intenção.”
Eduardo Tavares

Biografia de Eduardo Tavares (1918-1991)

Natural de S. João da Pesqueira, ingressa com apenas 13 anos na oficina de Teixeira Lopes no Porto, onde trabalha durante dois anos, para mais tarde, em 1938, se tornar aluno da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, onde teve como mestres Acácio Lino, Pinto do Couto, Joaquim Lopes e Teixeira Lopes. No final do curso, em 1945, obtém a classificação final de 19 valores com o seu trabalho a Toupeira Douriense. Finalizado o curso, parte para a Itália e França; recebe ainda o prémio Teixeira Lopes e a pensão Ventura Terra com bolsa de estudo para Paris, onde estagiou e frequentou cursos livres, para posteriormente, em 1950, frequentar a École Nationale Supérieure des Beaux Arts de Paris.

Em 1951, torna-se professor do ensino técnico, tendo sido afastado deste cargo por razões políticas; de 1952 a 1960 passa a integrar o corpo docente da Faculdade de Belas Artes do Porto, cargo que ocupa até 1985. Participa ainda em diversas exposições no Porto e em Lisboa.

Para além das obras expostas neste espaço museológico, Eduardo Tavares é autor de inúmeras obras expostas em espaços públicos, quer em Portugal – Porto, Oliveira de Azeméis, S. João da Pesqueira – quer no estrangeiro – Bissau -; publica ainda as seguintes obras: Do Número de Ouro á Figura Humana, Da Geometria de Miguel Angelo na Capela Sistina e Anatomia Artística (a titulo póstumo).

A oficina de Eduardo Tavares

Tendo começado pelo trabalho em madeira, a experiência da modelação até à fundição e do trabalho directo na pedra ter-se-á aprofundado no contacto com Teixeira Lopes que conheceu nos últimos anos de vida deste escultor que viria a morrer no ano de 1942. Não seria muito diferente a aprendizagem escolar decorrida entre 1938 e 1945, baseada no desenho anatómico e de modelo vivo, impondo conceitos e temas de cariz mitológico e religioso.

À imagem do que aconteceu com outros elementos da sua geração e de gerações anteriores, era nas viagens a países estrangeiros – França e Itália escolhidos acima de qualquer destino – que os artistas procuravam a necessária actualização de uma formação que cedo se revelava incompleta ante o que a prática profissional deles exigia. E terá sido essencialmente em França – onde Eduardo Tavares se deslocou regularmente desde finais dos anos 40 até ao final da sua vida – que o escultor encontrou verdadeiramente os motivos de interesse e inspiração.

Eduardo Tavares permanece desconhecido para muitos, mesmo daqueles que se interessam pela arte e, em particular, pela escultura. O seu caso na história da arte portuguesa é marcado pelo individualismo, pela singularidade e até por certa marginalidade assumida em relação a certos sectores do meio artístico. A sua atitude de tenacidade e de firmeza está, em certa medida, ligada à dimensão de que o factor técnico se revestia na sua obra. Senhor de um perfeito domínio e conhecimento de materiais difíceis de trabalhar Eduardo Tavares manteve-se fiel a um processo de trabalho que os anos 60 e 70 (e mesmo muito antes) viram desmoronar.

A colecção exposta

Numa visita a este espaço podemos observas diversas componentes da obra de Eduardo Tavares, nomeadamente a escultura – estátuas, bustos, baixos relevos – os retratos, os esboços e o material pessoal que o escultor utilizava para a elaboração das suas peças. Desde a representação de individualidades “retratadas” pelo autor, ás obras de maiores dimensões, as estátuas, constata-se toda uma variedade temática que vai desde a representação do espírito de uma comunidade – monumento evocativo – com um movimento das figuras representadas – O Emigrante / O Pastor e a Cabra – e, por outro lado, assistimos á imagem do herói ou figura notável – António Breda /Dr. Antão de Carvalho –. Verifica-se uma diversidade de materiais – gesso, mármore, madeira - demonstrando que essa diversidade de materiais é passível de representar aquilo que o autor considerava de fundamental, a figura humana.

Obras em espaços públicos

  • Geometria (1948) ; alegoria em granito; Biblioteca Pedro Ivo, Porto
  • Estudo e Pátria (1952) ; relevos em granito; Escola Secundária Gomes Teixeira, Porto
  • Independência (1953) ; bronze; Fonte decorativa, Guimarães
  • Diogo Gomes (1956) ; estátua em bronze, Bissau
  • Ricardo Jorge (1958) ; estátua em bronze; Hospital São João, Porto
  • Juiz de Fora e Corregedor (1961) ; relevos em pedra; Palácio da Justiça, Porto
  • O Emigrante (1966) ; estátua em bronze, Oliveira de Azeméis
  • O Pastor e a Cabra (1966) ; grupo escultórico em bronze, Vieira do Minho
  • Justiça ; bronze; Palácio da Justiça, Oliveira de Azeméis
  • João Duarte (1967) ; estátua em bronze, Barcelos
  • António Breda (1969) ; estátua em bronze, Águeda
  • Padre Himalaia ; estátua em bronze, Arcos de Valdevez
  • Justiça e Paz (1973) ; relevo em calcário; Palácio da Justiça, São João da Pesqueira
  • O Bem e o Mal (1973) ; relevo em calcário; Palácio da Justiça, São João da Pesqueira
  • Justiça de Fafe (1981) ; grupo escultórico em bronze, Fafe
  • Dr. Antão de Carvalho (1982) ; estátua em bronze; Casa do Douro, Régua

Arqueologia

A colecção exposta

O espólio arqueológico em exposição, é o resultado de escavações arqueológicas, achados de superfície e prospecções arqueológicas realizadas em diversos locais do concelho de S. João da Pesqueira. É uma viagem, um convite a um percurso com cerca de 6000 anos. Uma viagem ao longo do território, do espaço que hoje conhecemos.

Um percurso que aborda o espaço social das primeiras comunidades, o espaço fúnebre e o espaço habitacional. As comunidades que por aqui viveram há cerca de 6 000 anos habitavam em pequenos planaltos, viviam da agricultura e da caça. No abrigo da Fraga D’Aia, encontramos muitos vestígios dessa vivência, como também pinturas a representar uma cena de caça. Estas comunidades construíram enormes monumentos - antas/dólmens - para sepultar os seus mortos e juntamente dos quais eram colocados os seus utensílios do quotidiano (machados, pontas de seta, vasos); um desses exemplos é o Dólmen de Areita.

A evolução tecnológica e social do Homem, leva-o a ocupar o cume dos grandes planaltos, localizados junto a linhas de água, onde constrói muralhas defensivas e as habitações. É a Idade dos Metais ( cobre, bronze, ferro) e da hierarquização social. Desse período existe uma grande produção cerâmica, especialmente decorada, machados utilizados no quotidiano e um berrão associado ao culto da natureza.

Este percurso aborda o território durante a ocupação romana; a construção de aldeias (vicus), estradas (como no caso da Serra de Sampaio em Trevões), ocupam pontos estratégicos para funções militares (S. Salvador do Mundo); para além disso as novas práticas religiosas permitem a construção de altares (ara de Paredes da Beira), novos rituais funerários (cupae de Trevões e lápide funerária de S. Salvador do Mundo) objectos de adorno e numismática.

Na passagem pela Idade Média, destaque para um território desde muito cedo reconhecido pelos monarcas; entre 1055 – 1065 este território recebe a primeira carta de foral (documento régio que define os deveres e os direitos de uma população para com o senhor da terra). Do território que viria a ser Portugal, S. João da Pesqueira é o território que possui a 1ª Carta de Foral atribuída a uma comunidade…

Ao longo da Idade Moderna e Contemporânea, o percurso leva-nos ao longo da paisagem deste território, da construção da paisagem do vinho…