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Personagens Célebres

São João da Pesqueira foi berço de inúmeras personalidades que se destacaram nas artes, nas letras, na política, na religião, e noutros sectores da actividade e da criatividade humana.
Nada mais, nada menos, do que dezoito pesqueirenses ilustres que honram a galeria e o sangue das suas progenituras, algumas delas seladas com a humildade honrosa do berço da sua origem.

Destaquemos, aqui, alguns por ordem cronológica da cédula do nascimento.

Marquês de Pombal
O marquês de Pombal (primeiro ministro de D. José), em menino e moço, estudou no convento franciscano da Vila onde um tio padre ministrava lições de Latim. Terão surgido rivalidades com os marqueses de Távora por se terem oposto ao namoro e enlace matrimonial entre Pombal, filho de gente humilde (plebeia), e a formosa descendente dos prestigiados Távoras.

Baltazar Fernandes
Célebre Pintor quinhentista, de quem muito pouco se sabe, para além da lacónica referência em carta de D. Manuel I (11 de Junho de 1515), nomeando-o recebedor das sisas de Trevões e Várzeas

D. Frei Acúrsio de Santo Agostinho
Nome religioso do cónego regular daquela ordem, natural de Ervedosa, e filho da ilustre família dos Távoras (D. João Gonçalves de Távora e D. Filipa de Melo). Viveu nos finais do século XVI (princípios do seguinte), professou no convento de Sta. Cruz de Coimbra. Ocupou altos cargos na congregação, (Superior Geral), foi Cancelário da Universidade (1590), mestre de artes, e professor de Teologia. Para além disso, foi orador exímio.

D. Caetano de Gouveia Pacheco
Nasceu em Riodades (1696), e ingressou na ordem de S. Caetano, com 18 anos de idade. Distinguiu-se notável pregador, e nomeado para lugares superiores: qualificador do Santo Ofício, e examinador das três Ordens Militares. Membro da Academia Real de História (1735), foi encarregado de escrever a "História do Bispado de Coimbra". Faleceu em Lisboa, a 4 de Março de 1768.

Luís Augusto Pinto de Soveral
Nasceu na Pesqueira (1853), e foi figura de grande prestígio nacional e internacional, senhor de vasta cultura literária, e muito respeitado no Paço Real. Frequentou a Academia Politécnica do Porto, foi Oficial da Marinha, e frequentou a Universidade Lovaina (Bélgica). Ocupou elevados cargos: Fidalgo da Casa Real, Par do Reino, Conselheiro de Estado, e Ministro dos Negócios Estrangeiros (Madrid, Roma e Londres). Foi amigo íntimo da Família Real Inglesa com quem privou, e Eduardo VII demonstrou por ele elevada estima e admiração. Recebeu o título de Marquês de Soveral por carta ou mercê de D. Carlos I. Rafael Bordalo Pinheiro caricaturou-o, pela natural facécia do bem-humorado Marquês, inseparável da sua alta cartola e bengala. Faleceu (solteiro) em Paris (1922).

Manuel Dias Alonso
Poeta popular, de condição humilde, e supostamente com costela galega, nasceu na Pesqueira, nos finais do século XVIII. Maria Teresa Ribeirinha (natural de Sernancelhe) foi sua mulher, e também ela versejadora e cantadeira de fama. Cantavam ambos ao desafio, durante horas inteiras, entretendo os serões rurais (e da rua) quem parava para os escutar. A varanda da sua humilde casa, na Vila da Pesqueira, era palco destes dois exímios poetas do povo.

José Maria Cunha Seixas
Nasceu em Trevões (1836), e frequentou direito em Coimbra, com altas classificações. Atraído, muito cedo, pelo jornalismo (ainda estudante) fundou na cidade do Mondego o jornal "Académico". Estreou-se em livro intitulado, precisamente, "estreias", um sucesso literário. Abriu banca de advogado em Lisboa, e seguiu a política, defendendo ideias liberais nos periódicos do seu tempo. Deixou uma dúzia de títulos (literários) publicados, versando também filosofia, assuntos do foro jurídico e manuais de uso escolar.

Jorge de Távora
Jorge de Távora, Sacerdote da companhia de Jesus, tendo dedicado a vida inteira aos pobres, doentes, famintos e excluídos, a quem deram o nome de "Padre da Caridade". Contaminado pela peste de 1599 que grassou em Coimbra (onde estudou e exerceu o apostolado), expirou na doce paz dos justos a 20 de Maio desse mesmo ano.

João Clemente de Carvalho Savedra
Nasceu em Ervedosa (1865), e frequentou a Escola Normal do Porto, onde se diplomou em Professor do Ensino Primário, com elevada classificação. De grande inteligência e cultura, viveu apaixonadamente os problemas do Ensino e da Educação, a nível do país. Nesse sentido, viajou por vários países europeus em busca de experiências e de modelos com que pudesse enriquecer a sua vocação inovadora e vanguardista a nível da pedagogia que tivesse aplicação no Ensino Primário em Portugal. Escreveu, assim, vários livros e compêndios ou manuais escolares que foram oficialmente adoptados, com sucessivas e honrosas edições que ensinaram largas gerações.

José Pinto Mesquita Gouveia
Nasceu em Ervedosa, e era licenciado em Direito. Foi conselheiro, e exerceu outros elevados cargos, como o de Governador de Vila Real. Faleceu na Régua (1909).

António Aires Pacheco
Natural do Vilarouco, estudou no seminário do Funchal. Ordenado, foi nomeado Cónego da Sé capitular. Madeirense Pregador notável, a sua fama correu o país inteiro, merecendo o honroso epíteto de "Ornamento do Púlpito Português". Dele ficaram vários sermões e orações fúnebres em exéquias solenes, como as que proferiu na morte de D. Carlos e do príncipe Luís Filipe, na Igreja do Mosteiro dos Jerónimos.
Quando o Cónego Pacheco faleceu, os jornais dedicaram-lhe honrosos e encomiásticos títulos, chegando a considerá-lo um dos primeiros dos nossos oradores sagrados, depois de Vieira

José Paradela de Oliveira
Quem não conhece o nome (e a voz) do Dr. Paradela de Oliveira, um dos grandes da geração académica dos fadistas de Coimbra? Era natural da Pesqueira, onde nasceu a 15 de Março de 1904.
Frequentou a Escola do Magistério Primário de Vila Real, e, mais tarde, foi para Lisboa onde leccionou na Escola Industrial Fonseca Benavides. Em Coimbra, matriculou-se em Direito, e quatro anos mais tarde, de regresso à capital, terminou a licenciatura. Seguiu-se a magistratura, e notabilizou-se em diversos julgamentos de cariz político, defensor de arguidos resistentes à Ditadura.
Militante de esquerda, e sempre coerente com as suas ideias e ideário político, foi acérrimo opositor ao regime de Salazar, e participou na campanha às eleições a favor do General Norton de Matos.
Faleceu em Madrid, a 18 de Setembro de 1970, em dia de muito calor. Na companhia da esposa, entrou numa cervejaria, e pediu uma cerveja fresca, que afinal era gelada, provocando-lhe uma indigestão e, de imediato... a morte. Calou-se, nesse dia fatídico, a voz de oiro do fado de Coimbra.

Eduardo Augusto Tavares
Nasceu na Pesqueira, em Julho de 1918. Órfão de mãe, desde pequenino, e de família de sóbrios recursos materiais, o pai ficou em sérias dificuldades para criar sete filhos. Concluída a instrução primária, o jovem Eduardo abalou para a cidade do Porto (tinha 12 anos) trabalhar como marçano (ou moço de recados) numa loja para as bandas da foz. Nos poucos momentos livres, abria a navalha (que servia de goiva, para além das que ele fazia com varas de guarda chuvas velhos) e insculpia figurinhas ou pequenas imagens em bocados de madeira que encontrava na rua.
Mas alguém havia de reparar no talento precoce do rapazito. Um santeiro (que fazia imagens de santos) de Custóias, chamou-o para ajudante, e ele foi. Depois, apresentou-o ao mestre Teixeira Lopes, que o admitiu na sua oficina de Vila Nova de Gaia, e, ao mesmo tempo, matriculou-o na Escola de Belas Artes no Porto (hoje faculdade de Belas Artes). Aluno brilhante, terminou o curso aos 26 anos, e foi homenageado pela classificação só igualada (em 1911) pelo mestre Diogo de Macedo. A esta homenagem assistiu, orgulhoso, o pai de Eduardo Tavares. Eduardo Tavares que viria a ser brilhante professor da escola onde fora brilhante aluno. E também um grande mestre, apesar da sua impressionante humildade. Os grandes talentos são sempre criaturas humildes e discretas. Eduardo Tavares assinou trabalhos de mérito, espalhados por praças e jardins do Norte e Centro. Apenas um exemplo, a estátua dedicada ao "Emigrante", uma alegoria do título do célebre romance de Ferreira de Castro. Tinha o mestre a sua oficina no rés-do-chão da sua habitação modesta, na cidade do Porto. O recheio e outras recordações (modelos) fazem parte, do actual Museu, situado na sua terra natal. O recheio da sua oficina e estatuetas que são as sombras artísticas do talentoso e despretensioso mestre.

Sequeira Costa
O vulto insigne da música erudita, é o conhecido e renomado pianista José Carlos Sequeira Costa, natural do Vilarouco, onde nasceu em 1929. Dos 10 aos 12 anos teve lições de piano com o mestre Viana da Mota, e em 1946, ganhou o prémio "Paris", em concurso internacional. É o lídimo representante da Escola Viana da Mota, e um dos mais famosos pianistas do mundo.

José Augusto Seabra
Resistente anti fascista da geração de 60, professor e político, foi Ministro da Educação num dos governos de Cavaco Silva, foi embaixador de Portugal junto da UNESCO, embaixador em Nova Deli, e é, presentemente, embaixador na capital da Roménia. Colaborador da imprensa diária, é um arguto analista político, este pesqueirense ilustre.

João do Nascimento Costa
É natural de Vilarouco, onde nasceu em 1931. Industrial e proprietário, subiu a vida do último degrau da escada, com porfiado trabalho. Exerceu diversos cargos em S. João da Pesqueira, destacando-se, sobretudo, como autarca. Presidente da Câmara durante várias legislaturas ou mandatos, ganhou sempre as eleições livres e democráticas do pós 25 de Abril (ou desde 1975).
Trabalhador, dedicado, inteligente, o Concelho deve-lhe o maior desenvolvimento que conheceu (e ainda usufrui) com empreendimentos de vulto, dotando-o das infra-estruturas essenciais em vários domínios. Desde a cultura, às estruturas de recreio e lazer (Auditório, Pavilhão Gimno-desportivo e Piscinas Municipais), à rede viária, saneamento e abastecimento de água (Barragem de Ranhados), um dos problemas crónicos que afligia a população.
Faleceu a 8 de Outubro de 2006.