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Pereiros

A situação geográfica da freguesia de Pereiros está directamente relacionada com a existência de um castelo no monte da Senhora do Viso, que protegia o povoado no século VIII.
A freguesia de Pereiros fica a sudoeste da sede de concelho (sensivelmente a 12 Km), tomando a estrada Nacional 222 e Municipal 507. Situa-se a 70 Km de Lamego (Diocese) e a 130 Km de Viseu (Distrito).
Possui uma área aproximada de 8.5 Km2 e é de características topográficas acidentadas.
A origem de Pereiros encontra-se na base do monte da Senhora do Viso, onde ainda são visíveis as ruínas de algumas casas e de uma igreja, da qual existe a pia baptismal e a imagem de Nossa Senhora dos Prazeres, pertencentes ao lugar de Covas (a nordeste) e que actualmente se encontram na Igreja Paroquial de Pereiros.
Entre Covas e Pereiros existe a Agorrêta, pequeno aglomerado de casas, actualmente identificadas pela ruína, onde se pode apreciar uma pequena cruz feita de seixo, inscrita numa das paredes. Segundo o testemunho dos seus últimos habitantes, a cruz era um sinal que lhes incutia a ideia da presença de Deus.
A comprovar a antiguidade de Pereiros, basta dizer que participou no aforamento concedido à sua sede de concelho, entre 1055 e 1064 e seguintes por Fernando Magno de Leão, rei que libertou esta região dos Mouros.
Pereiros deve ter sido povoado desde tempos remotos por demos primitivos que tinham o seu ponto nuclear de defesa, no monte que limita a nascente esta freguesia e que foi conhecido pelo castelo do vento.
A Paróquia de S. Salvador do Mundo de Pereiros foi criada no século XV, ficando independente de Vilarouco e anexa a S. João da Pesqueira, cujas abadias apresentavam em “solidum” os curas da aldeia.
A igreja de S. Salvador aparece já apresentada no cabido lamecense na primeira metade do séc. XVI.
Pereiros, ao contrário de muitas outras paróquias, tinha dízimo próprio e renda anual de 75 mil reis, pagando desta quantia, o terço ao cabido de Lamego.
A tradição mantém a tese de que a mudança dos habitantes da quinta de Covas, que foi sede de freguesia no séc. XVIII, e do lugar da Agorrêta, para a então freguesia de Pereiros se deveu a uma praga de lagartas que invadiam e destruíam as culturas, acompanhadas por “monstruosas” formigas que invadiam as casas, matando e comendo crianças de berço. Outro motivo que justifica esta mudança é a abundância de água potável e fertilidade dos terrenos da margem direita do rio Torto.
Supõe-se que neste local tenham existido alguns pereiros afamados (arvores de fruto) e daí o actual nome de Pereiros.

Património
A Igreja de Pereiros é sem dúvida alguma um magnifico templo, não só pela sua grandiosidade mas também pelo grande valor artístico que possui. Construída pelos finais do séc. XVII ou inícios do séc. XVIII.
Ultimamente tem sido alvo de algumas restaurações, as quais fizeram obscurecer bastante o valor do antigo, nomeadamente a sacristia que foi totalmente reconstruída em blocos e cimento.
O altar-mor é de rica talha dourada (barroca) e o trono de beleza singular, sobrepujado por Cristo Ressuscitado, em óptimo estado de conservação. Necessita urgentemente de uma restauração e de um revestimento a cor dourada, bem como os dois altares laterais.
O sacrário é símbolo de significativo valor artístico, decorando a porta um Ecce Homo (flagelado e vestido de túnica), e as imagens do padroeiro (S. Salvador do Mundo) e Sr.ª dos Prazeres (muito antiga e de valor incalculável).
Fazem parte do património religioso de Pereiros, as capelas.
A Capela de Santo António com interiores de talha dourada, colunas estriadas e um enigmático Tríptico. O seu tecto é revestido com caixotões com interessantes representações hagiológicas. A capela era particular do solar da ilustre família Pita Negrão, mas actualmente faz parte do património religioso da paróquia.
As capelas de Santa Eufemia, Senhora da Cabeça e Santa Luzia, completam o roteiro patrimonial religioso pereirense.

Padroeiro
S. Salvador do Mundo, padroeiro de Pereiros é festejado no dia 6 de Agosto. Faz-se, ainda, a festa dedicada a Santa Luzia, no dia 13 de Dezembro onde se pode apreciar a famosa jeropiga.

Gastronomia
O prato típico desta freguesia é o cabrito assado no forno a lenha com batatas assadas. O cozido à portuguesa com as deliciosas carnes caseiras, a bola de carne, as alheiras, as moiras de sangue e outros enchidos também são muito apreciados.
Da doçaria tradicional destacam-se os biscoitos, as filhós, o arroz doce e o pudim caseiro.

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