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Soutelo do Douro

Soutelo teve origem em herdade foreira da Coroa (reguenga), e a terra esteve sob jurisdição da vila e castelo da Pesqueira.
A história da povoação conhece-se melhor a partir da altura em que passou a terra à posse do bispo de Lamego (D. Paio ou Pelágio – 1211-1246) que fez dela póvoa, a repartiu em dezasseis casais e a aforou, concedendo-lhe carta de povoação.
A Câmara da Pesqueira embora concordando com essa concessão colocou como condição que o povo de Soutelo ficasse sujeito ao foro (e às justiças) da vila da Pesqueira por ser assim melhor para ele. Mas as coisas não caminharam nesse sentido, sentindo-se o povo prejudicado nos seus direitos.
Ao bispo se deve a instituição da vila e concelho (capitulares) de Soutelo exercendo aqui as suas justiças próprias (como em outras localidades da diocese). Ao que se crê, a mãe do referido prelado tinha aqui propriedades, legando-as ao filho.
A separação civil (e cível) de Soutelo em relação à Pesqueira, arrastou de igual modo a separação da paróquia o que desagradou também ao abade da Pesqueira que ficou sem as décimas e as primícias, agora rendimentos transferidos para o bispo ou cabido de Lamego subtraídas ao rei. A nomeação do cura ou do pároco de Soutelo, também por via dessa transição de poderes, passou a ser da responsabilidade do bispo ou do referido cabido.
Esta situação que motivou muitas devassas e demandas, contra certos foros e rendas, manteve-se durante muitos decénios, permanecendo os conflitos entre os prelados, os representantes da nobreza (da Pesqueira) e o próprio povo que a achavam abusiva.
A situação agudizou-se na vigência do bispo D. Gonçalo Gonçalves quando se tratou da anexação das terras de Cima Côa à diocese.
O bispo impediu os nobres de Távora de construírem em Soutelo residência e adega, queixando-se desse facto ao rei que indeferiu a pretensão dos fidalgos, julgando-a abusiva.
Os próprios soutelenses tomaram o partido dos fidalgos, uma luta de ambos, pois em 1525 reclamaram o seu direito de padroeiros sobre a igreja de S.ta Maria de Soutelo, que o cabido, mais uma vez, recusou. A bula do papa Júlio II dirigida aos bispos de Braga e Lamego a respeito da igreja de Soutelo (e Vilarouco) referia que ela pertencia por inteiro ao cabido, que também fundamentava aí a sua posição.
O desenvolvimento de Soutelo teve origem no tardio século XVIII, com a instalação definitiva da nobreza que aqui começou a erguer as suas residências e armazéns. O incremento da vinha e do vinho (do Porto) com Pombal deu a substancial ajuda à débil economia local.

Património
O pelourinho, é um elegante exemplar manuelino, classificado de interesse público; a Casa da Câmara e cadeia com brasão de D. Maria I; A fonte da Praça constitui referência importante da vida comunitária.
A igreja paroquial, sólida e robusta, e bem travada, modelo dos nossos templos rurais. Apresentava um interior rico em talha dourada (fins do Séc. XVII), retábulo-mor e altares colaterais de outros períodos. Digo apresentava porque foi vitima de um incêndio em Junho de 2002 que a deixou completamente destruída, estando neste momento em reconstrução com a ajuda do povo soutelense. Prevê-se que seja inaugurada ainda este verão.
Existem ainda as capelas de S.to Amaro, S. Sebastião, capela - miradouro da Sr.a das Neves e de Santa Marinha.

Padroeiro
O dia mais importante para os soutelenses é o 1º ou 2º domingo de Agosto dedicado à padroeira Sr.ª das Neves (antigamente S.ta Maria) a quem o povo denomina Sr.ª da Nassa.
S.ta Marinha é motivo de outra romaria, no domingo e segunda-feira de Páscoa.

Miradouros
O miradouro existente é a capela - miradouro, dedicada à Sr.ª das Neves, voltada para a povoação, do Alto da Fraga da Bandeira.

Gastronomia
O prato típico desta freguesia é o cabrito assado no forno com arroz e abola de carne. Quanto à doçaria, para além das especialidades triviais, há o arroz doce, aletria, leite-creme, pão-de-ló e filhós.

Pelourinho
Símbolo da autoridade administrativa de Soutelo é uma das relíquias do património do Concelho de S. João da Pesqueira, um elegante exemplar manuelino, classificado de interesse público.

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