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Trevões

Trevões é uma freguesia do Concelho de S. João da Pesqueira, distrito de Viseu, integrando-se na Região Demarcada do Douro.
Com uma superfície superior a 18 Km2, é constituido por uma zona de planalto (onde predomina uma agricultura diversificada), zona de montanha (predominando um ecossistema de floresta) e zona de escarpas montanhosas, onde são visíveis os típicos socalcos durienses. Confina com as freguesias de Valongo dos azeites e Vilarouco a nascente, Várzea de Trevões a poente, Paredes da beira e Penela a sul e S. João da Pesqueira a norte.
A actividade dominante e principal fonte de receita dos habitantes é a agricultura, sendo esta muito rica em frutas, azeite, vinho e produtos hortícolas para além das madeiras como o pinheiro e o eucalipto. Apesar da sua importância, a população tende hoje a voltar-se para outras actividades como cafés, restaurantes, oficinas de reparação, camionagem, serralharia, construção civil, entre outros.
A origem do topónimo tem levantado alguma controvérsia. Diversos documentos atribuem-lhe o nome de Trovões. Outros documentos porém denominam-na Trevões. Surgem, então, diversas teorias na tentativa de explicar a origem e evolução etimológica deste topónimo. Alguns sugerem que o nome original seria Trovões, devido às frequentes trovoadas que se registam na região. Mais tarde, pelo facto de crescer grande quantidade de trevo na zona, foi alterado para Trevões, segundo consta. Outra tese sugere ainda a existência no antigo pelourinho da vila, hoje desaparecido, da representação de um escudo com cinco folhas de trevo, que pertencia a um fidalgo da freguesia, de nome Travassos, daí provindo o topónimo. Outros defendem que Trevões é a designação mais correcta, constituindo a evolução fonética natural de Trevules, forma original que consta de alguns documentos antigos.

Notas arqueológicas
Várias referências históricas e achados arqueológicos testemunham as origens remotas deste povoado, em local não longe da actual vila. Confirmando a ocupação do território neste período estão alguns achados arqueológicos, como o meio alqueire de moedas romanas encontrado no sítio da Barra, em 1761. Embora haja mais relatos de moedas antigas, apenas se conservou um vestígio material da presença romana neste território. Trata-se de uma cupae de granito, anapigráfica, de pequenas dimensões, encontrada no lugar da Devesa aquando da instalação das canalizações para o saneamento, não havendo notícia de outros objectos junto a ela. O achado foi depositado na Adega Cooperativa de Trevões, onde foi exposto, dada a lógica associação ao vinho. Actualmente a peça integra o espólio do Museu de Trevões.
Estas lápides funerárias em forma de pipo, estão relacionadas com o ritual de incineração, utilizadas entre os séculos I e III d.C. e perpetuam um rito mais antigo em que os mortos eram depositados em pipas de madeira.
Existe também um sarcófago, possivelmente da época medieval, que se encontra à guarda do museu local. É uma peça rectangular, de granito, sem tampa ou qualquer inscrição, com bordos laterais ondulados. Quando foi levada para o museu encontrava-se junto à Fonte do Concelho, nada se sabendo sobre a sua proveniência.
Também há registos de sepulturas cavadas na rocha.

Património Arquitectónico
Paço Episcopal – Erguendo-se em paralelo com a fachada norte da igreja matriz, este edifício pertenceu aos bispos de Lamego, que apresentavam o vigário e aqui residiam. Foi construído em 1777, a mando do bispo D. Manuel de Vasconcelos Pereira, que arrasou a anterior construção.
O actual edifício, com interior muito descaracterizado, apresenta duas fachadas nobres, decoradas por janelas de saial, rematadas por frontões curvos, impondo-se na fachada nascente o brasão, lavrado ao gosta rocaille, com as armas dos Pereiras e Vasconcelos, rematadas pelo chapéu e borlas episcopais. O óculo que se abre no estremo da fachada sul é tradicionalmente conhecido como “olho do bispo”, porque só depois de verificar que o número de paroquianos era suficiente é que o bispo saía para celebrar a missa.
Após a nacionalização dos bens da igreja no século XIX, a casa, juntamente com a quinta, foi vendida, em 1875, a José Pereira Loureiro, Visconde de Fragosela. Este vendeu a propriedade a Francisco Xavier de Melo, que a passou à família Oscar Magalhães, entrando, depois, em progressiva ruína. Actualmente pertence a Eurico Figueiredo, prevendo-se o seu restauro com vista a integrar o Conjunto Turístico de Trevões.

Casa do Adro – Fronteira à fachada principal da igreja matriz e junto ao Paço Episcopal, foi mandada levantar em 1605 por Baltasar de Almeida Camelo. O presente edifício, provavelmente erigido entre os séculos XVIII e XIX, embora possuindo terras de vinha e diversas construções de apoio à actividade agrícola, apresenta características marcadamente habitacionais. Na fachada principal pontuam oito janelas, sendo as do andar nobre da sacada, com gradeamento de ferro forjado, e as do piso térreo de guilhotina, gradeadas em peito de rola. Ao centro, encimando o portal, duas volutas sustentam o brasão com as armas dos Almeida, Coutinho e Camelo. Do interior, em tempos ricamente mobilado, destaca-se a escadaria de acesso ao andar nobre.
Solar dos Caiados - Desenvolvendo-se a partir do gaveto da rua dos gatos com a rua da restauração, apresenta uma das melhores construções da vila, quer pela qualidade arquitetónica, quer pelo seu estado de conservação. Este edifício do século XVII, de planta longitudinal, estrutura-se em dois corpos com diferentes alturas devido à inclinação da rua onde está situada.

Solar dos Melos - Também conhecido por Solar dos Caiado Ferrão, foi mandada edificar em 1671, por Francisco de Almeida Caiado. Da construção primitiva, que já possuía capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição, conserva-se o corpo central da casa, com escada de patim adossada. Na segunda metade do século XVIII, sofreu obras de vulto, sob as ordens de Francisco Xavier de Almeida Caiado Melo e Vasconcelos, que a transformou numa das melhores casas de toda a região.
As Obras, que podemos balizar entre as décadas de 60 e 70 do século XVIII, apoiando-nos na data inscrita na frontaria da capela (1768) e no seu interior (1771), alteram parcialmente a casa e a capela. Esta capela, dedicada a Nossa Senhora da Conceição foi classificada como Imóvel de Interesse Público em 1970.

Fonte do Concelho - Trata-se de uma fonte que revela a presença romana nesta zona.

Igreja Matriz - A igreja paroquial de Trevões tem por orago Santa Marinha. A fundação medieval da igreja é indubitável, tanto mais que, quando foi demolida a velha torre sineira, no século XVIII, foram encontradas pedras sigladas e com inscrições, incorporadas na nova estrutura, e há referência de sepulturas cavadas no adro. Do primitivo edifício, construído entre os séculos XII e XIII, resta parte de uma pilastra com friso entrelaçado e arranque de arco, junto ao altar do Espirito Santo, e uma pequena pia de água, colocada na entrada da igreja. A restante obra pensamos ter sido executada por volta dos séculos XV e XVI, como parecem indicar os cachorros do portal principal e do arco triunfal, e a cachorrada no exterior da capela-mor, de iconografia e talhe bem mais próximos das linguagens do gótico final.
O edifício, em excelente estado de conservação, apresenta uma fachada austera, onde se rasga grande portal de arco apontado, sobrepujado por janelão de traça setecentista. Ladeia a fachada imponente torre sineira, mandada construir pelo bispo D. Manuel de Vasconcelos Pereira, em 1775. Do exterior salienta-se o portal norte, em arco apontado com intradorso chanfrado, púlpito, na fachada sul, e os cachorros decorados da capela-mor.
O interior da igreja, de nave única, tem piso lajeado com tampas sepulcrais e tecto revestido a caixotões ornados por volutas e anjos. Sobre a entrada ergue-se o coro alto, construído em 1857, assente em colunas de pedra, onde se incorporam as pias de água benta. Junto à entrada, encontra-se a pia baptismal, de granito, decorada por gomos, datada dos séculos XV/XVI.
Do lado da epístola, abre-se a capela dos Melos, de tecto de madeira oitavado, decorado com imponente retábulo maneirista, dourado e policromado, com tábuas pintadas a têmpera, assente sobre altar de granito.
O arco cruzeiro com colunelos de capiteis decorados, é inteiramente revestido a talha dourada de estilo nacional, reproduzindo o tema das ramagens estilizadas e puttis segurando uvas.
A capela-mor, com tecto forrado a caixotões de madeira, pintados com motivos vegetalistas coroados pelo brasão episcopal, tem retábulo de talha dourada de estilo nacional.
Na parede atrás do retábulo-mor foram recentemente postos a descoberto dois painéis de pinturas a fresco, datadas do século XVI.

Do património religioso há, ainda, a destacar um conjunto notável de capelas: A capela do Mártir são Sebastião, tradicionalmente referida como primitiva matriz; Capela de Nossa Senhora da Piedade, dentro do cemitério; Capela de Nossa Senhora da Graça; Capela de Santo António; Capela de Santa Barbara; Capela de São Paio, em serra sobranceira de onde se desfruta um vasto panorama sobre a região; e o Nicho do Senhor da Boa Passagem.

Padroeiro
A padroeira de Trevões é Santa Marinha mas o povo faz a festa a S. Paio e Santa Rita no dia 26 de Junho. Festeja-se também a Sr.a da Graça no primeiro domingo de Agosto.

Património Etnográfico
Associação Sócio - Cultural de Trevões

No intuito de preservar e transmitir as ricas tradições populares que constituem o património cultural da freguesia, foi criado, na década de 80, o Rancho Folclórico de Trevões. Ciente da importância que o folclore desempenha na cultura de um povo, como meio de transmissão da herança dos antepassados, com os seus trajes, danças e cantares, executa o profícuo e árduo trabalho de dar a conhecer às novas gerações as suas tradições mais antigas e características, dando também deste modo o seu contributo para a construção da história local, ao construir uma fonte viva de conhecimento.
Tem como madrinha Nossa Senhora da Conceição, celebrada a 8 de Dezembro com Missa Solene e procissão animadas pelo Rancho.

Museu de Trevões
Com o objectivo de guardar a memória desta povoação, transmitindo aos seus habitantes a continuidade e diversidade local, mostrando-lhes as suas raízes e tradições, a Associação Sócio – Cultural de Trevões organizou uma estrutura museológica, onde se recriam espaços ligados à vida da freguesia. Albergando o mais variado tipo de peças, a exposição permanente visa dar a conhecer os costumes e modos de vida passados, tentando desta forma criar um elo entre as diferentes gerações, legando a memória do passado.

Gastronomia
Sabor da cozinha antiga é cabrito assado. Bola de carne, bola de azeite, bolos de Páscoa, sopa seca, feijoada, milhos, papas de milho moído, milhos de tomatada, papas de sarrabulho, favas moídas, favas com chouriço. Podem referir-se, também, os enchidos (alheiras, chouriça, moira, salpicão, farinheira).
Doces e sobremesas: Filhós, folares, biscoitos ou tarte de amêndoa.

Solar dos Caiados
Solar dos Caiados fica situado na mesma freguesia. É um esplendoroso edifício (brasonado) da segunda metade do séc. XVII com capela (séc. seguinte) no prolongamento da fachada nobre, um autêntico museu ao ar livre. Pela imponência e trato artístico de ar senhorial circunspecto, mereceu classificação de monumento de interesse público, incluindo a belíssima capela (anexa) com seu recheio. O altar do gracioso templo parece da fábrica do convento das freiras (Moimenta da Beira). A Sra. da Conceição (titular) está representada numa pintura em tela do célebre pintor (italiano) Pascoal José Parente que se notabilizou pelos seus frescos e retábulos. Também são da sua assinatura os frescos do tecto (a ruir) e paramentos laterais.

Igreja Matriz de Santa Marinha
Na freguesia (e Vila) de Trevões, a Igreja Matriz de Sta. Marinha (monumento nacional). Elevada a paróquia no séc. XIII, possui marcas da sua antiguidade, especialmente devido às fortes paredes e às portas e janelas em arco partido. Presume-se que Nuno Caiado de Gamboa, ofereceu a esta igreja, no ano de 1600, os altares laterais, bem como a imagem de Nossa Sra. da Conceição em marfim, que é uma preciosa escultura, daí que só se exponha no templo nos dias de festa. Em 1755, a velha torre foi demolida, dando origem a uma outra. Durante este processo, encontraram-se antigas pedras lavradas com inscrições góticas.

Paço Episcopal
O Paço Episcopal, erigido em 1777, pelo Bispo D. Manuel Vasconcelos Pereira, é um edifício vasto, de grandiosas janelas e salas, com as armas dos Vasconcelos na fachada.

Mapa