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Riodades

Riodades é terra de paz e de fé. As paisagens alegres em redor brindam a jovial aldeia com uma frescura primaveril e todo o seu encanto surge aos olhos do visitante como um quadro delicioso. O miradouro da Senhora da Alegria é o melhor local para contemplar a serenidade desta pitoresca aldeia, de matizes diversos das paisagens do Douro e da Beira que, desde há séculos, tem sido refúgio para tantas vidas.

A sua proximidade com a vila de Paredes da Beira, de cujo termo fazia parte, mas também com as vilas de Trevões, São João da Pesqueira, Penedono, Sendim, entre outras, ditou grande parte da sua história. Estabelecida na margem do rio Távora foi, desde os tempos fundacionais, uma terra cruzada por peregrinos e almocreves que, seguindo caminhos ancestrais, deixaram um importante contributo para o seu desenvolvimento.

Desde a posição de fronteira que teve à interioridade de hoje em dia, a aldeia de Riodades não perdeu relevância, especialmente, para todos os que aqui tiveram o desígnio de encontrar um rumo para as suas vidas, como sucedeu com os judeus e, mais tarde, com os cristãos-novos.

A documentação histórica revela-nos que as famílias cristãs-novas integravam-se e apoiavam-se entre si, numa rede de solidariedade de parentescos dispersa pelas aldeias vizinhas, como em Trevões, Castainço e Sendim. Entre os seus descendentes, destacam-se o desembargador e jurisconsulto António Rebelo da Fonseca Leitão, que seguiu o gosto pelas leis, como os seus antepassados cristãos-novos, da linhagem dos Rebelos e dos Fonseca. Também se notabilizou nas Letras o seu filho, Francisco Rebelo, apurado poeta do seu tempo.

Riodades sempre foi um importante local de passagem, não só pela travessia do Távora, corporizada pela ponte que ainda hoje se mantém, mas também por estar na rota da peregrinação ao santuário da Lapa. Contudo, a proximidade de Riodades à vila de Paredes, sede do antiquíssimo concelho medieval a cujo termo pertencia, comprometeu o seu desenvolvimento, bem expresso no rendimento do cura que recebia 8 000 reis contrastando com os 50 000 reis recebidos em Nagoselo ou em Valongo dos Azeites.
Hoje, ainda subsistem antigas marcas simbólicas da religiosidade judaica e cristã, gravadas a ferro nas fachadas das antigas moradas, reveladoras de um passado sofrido, de suspeita e medo, mas também de convivência e conciliação. São as marcas das mezuzot (pl. de mezuzah), cruciformes mágico-religiosos, inscrições e traços de uma arquitectura tardo-medieval que sobreviveram ao tempo e que esperam ser redescobertas por cada um de nós.

Riodades is a land of peace and faith. The viewpoint of “Nossa Senhora da Alegria” is the best place to contemplate the serenity of this village, with different hues of the Douro and Beira landscapes that, for centuries, have been a refuge for so many lives.

Its proximity to the village of Paredes da Beira, whose term was part of it, but also with the villages of Trevões, São João da Pesqueira, Penedono, Sendim, among others, dictated much of its history. Established in the margin of the Távora river was a land crossed by travelers and “almocreves” that, following ancestral ways, left an important contribution for its development.

 

From the frontier position which, from its foundational times, to the interiority it has suffered today, the small village of Riodades has not lost any relevance, above all, for all those who here had the intention of finding a way for their lives, as it happened With the Jews and, later, new Christians.

Historical documentation reveals that many of the new Christian families were integrated and supported by a network of kinship solidarity, and many of them dispersed through the neighboring villages, especially in Trevões, Castainço and Sendim. Of his descendants, stand out António Rebelo da Fonseca Leitão, a Christian-New on the part of Rebelos and Fonseca lineage, who followed the taste of his Christian-New ancestors by the laws and was a judge and famous jurist. Also noted in the lyrics was his son, Francisco Rebelo, the poet of his time.

Riodades has always been an important place of passage, not only for crossing the Távora, but also for to be on the route of the pilgrimage to the sanctuary of Lapa. However, the proximity of Riodades to the small town of Paredes, home to the old medieval municipality to which it belonged, compromised its development, well expressed in the income of the priest who received 8,000 kings in contrast to the 50,000 kings received in Nagoselo or Valongo dos Azeites.
Today, there are still very old marks of Jewish and Christian religiosity, engraved on the facades of the old houses, revealing a past suffered. They are the marks of the mezuzot, cruciformes, inscriptions and traces of a late medieval architecture that have survived the time and that hope to be rediscovered by each one of us.

 

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Mapa interactivo dos vestígios encontrados