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Paredes da Beira

Com pergaminhos mais antigos que a Nacionalidade, a vila de Paredes da Beira bem pode ufanar-se de constar nos anais da história como um dos concelhos contemplados com o primeiro foral atribuído a terras que viviam a ser portuguesas.

Determinado o seu estabelecimento por mão da natureza, o vetusto casario da localidade contorna as faldas de um maciço rochoso onde foi fincada uma muralha com mais de mil anos, dando espaço às terras férteis e aplanadas, voltadas ao sul. Diz a tradição local, que o seu topónimo se ficou a dever ao rei Fernando, o magno, aquando da reconquista cristã que, tendo a conquistado, a apelidou de terra de Paredes da Beira por existirem aqui muitas ruínas. Na verdade, aqui existem numerosos sítios e vestígios arqueológicos da maior importância e de verdadeira raridade.

Desde cedo estas terras atraíram os homens que buscavam uma vida melhor. Veio a nobreza, o povo e, entre eles, famílias de credo mosaico que mais tarde se fizeram cristãos-novos, como Diogo de Almeida que acabou preso, em 17 de Junho de 1729, por culpas de judaísmo, bem como outros familiares. O mesmo sucedeu com João Rodrigues Espinosa, seu genro António da Fonseca e sua esposa Primavera Rodrigues, todos cristãos-novos, que foram presos pela Inquisição e que viram os seus bens arrestados e vendidos na praça pública, em 2 de Fevereiro de 1620. Estes eram parentes do famoso Baruch Espinoza. E outros houve.

Durante o período medieval, Paredes da Beira era um pequeno concelho rural, longe das cidades, com acessos eram difíceis, mas com muitas razões para que os judeus do reino se estabelecessem e, mais tarde, os judeus expulsos de Castela também aqui procurassem refúgio. Da presença, das vidas, daqueles que apostataram a sua Fé e dos que a continuaram a praticar em segredo, ficaram as suas antigas moradias onde continuam a ecoar memórias das suas crenças, das suas vivências e dos vestígios mágico-religiosos relacionados com a sua fé, gravados nos vãos dos portais e em tantos recantos secretos que merecem ser descobertos e protegidos por todos nós.

 

With ancient scrolls than nationality, the small town of Paredes da Beira is one of the counties contemplated with the first charter attributed to lands that would come to be portuguese.

According to local tradition, its place name was due to king Fernando, the great, during the christian reconquest, that having conquered it dubbed the land of Paredes da Beira because there are many remains of buildings here, including a wall with more than a thousand years. In fact, here are numerous sites and archaeological remains of the greatest importance and true rarity.

From the early days these lands attracted men. There came the nobility, the people, and among them jewish families who later became new christians, such as Diogo de Almeida and his family, who ended up imprisioned on 17 June in 1729, for faults of judaism, as well as other family members. The same happened to João Rodrigues Espinosa, his son-in-law António da Fonseca and his wife Primavera Rodrigues, all new christians who were arrested by rhe inquisition and who saw their goods sold in public square on 2 February in 1620. These were relatives of the famous Baruch Espinoza. And there were others.

During the medieval period, Paredes da Beira was a small rural county, far from the cities, with difficult access, but with many reasons for the jews to establish down and later, the jews expelled from Castela also sought refuge there. From the presence, from the lives, from those who have apostatized their faith, their ancient dwellings remain where they continue the memories of their beliefs, their experiences and the religious vestiges related to their faith, engraved in the gaps of the portals and in so many secret corners that they deserve be discovered and protected by all of us.

 

 

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Mapa interactivo dos vestígios encontrados