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Trevões

A presença judaica na vila de Trevões é conhecida desde o final da Idade Média.
No ano de 1304, o rei D. Dinis criou, por seu mandado, a feira de Trevões, franca de três dias, e logo se tornou numa das feiras mais concorridas da região. Fruto do movimento comercial, acercaram-se por aqui os primeiros judeus e, pelo crepúsculo da Idade Média, ter-se-ão estabelecido na zona que se apelida de Rua dos Gatos, e suas travessas, que correspondem a um dos núcleos habitacionais mais antigos da freguesia.

O número de indivíduos de credo mosaico talvez tenha sido muito incrementado após o decreto de expulsão de Castela, mas a escassa documentação não permite, por agora, grandes conclusões. Por outro lado e para uma cronologia mais moderna, entre os séculos XVI-XVIII, a riqueza da documentação permite concluir que, em Trevões, se contavam numerosos descendentes de famílias judias, entre os seus naturais. Na maioria dos casos, eram indivíduos que constituíam uma pequena elite local.

No inverno de 1558 a Santa Inquisição entrou em Trevões executando as primeiras ordens de prisão por culpas de judaísmo, semeando o medo e a desconfiança. Mas foi durante os séculos XVI e XVII que o tribunal do Santo Ofício esteve mais ativo. Jovens e menos jovens foram levados para os carceres e, em pouquíssimo tempo, as prisões elevaram-se as dezenas. Só no ano de 1618 foram presos 23 indivíduos, muitos deles com relações de parentesco entre si.

As famílias Rebelo, Fonseca, Carvalho-Cardoso, Lourenço, Mesquita, Dias, Henriques e Mendes foram muito perseguidas. Entre os acusados de judaizarem contavam-se advogados, bacharéis em leis, muitos mercadores, sapateiros e simples agricultores, todos cristãos-novos, que viram as suas famílias serem destruídas e os seus bens espoliados.

Desses tempos, permanecem em Trevões vestígios da herança judaica e cristã-nova, como as suas antigas moradas, muitas com marcas cruciformes mágico-religiosas, sinais de cristianização forçada.
A sua descoberta é obrigatória, bem como fazer uma visita ao Museu de Trevões onde se guardam duas pequenas lamparinas certamente de tradição e ritual judaico ou criptojudaico, do mesmo modelo utilizado pela comunidade judaica de Belmonte. Mas principalmente, venham caminhar pelas ruas sossegadas, sentir e perscrutar os lamentos desses tempos.

The Jewish presence in the small village of Trevões has been known since the late Middle Ages. In the year 1304, King D. Dinis created, by his mandate, the Trevões fair, which became one of the busiest fairs in the region. Fruit of the commercial growth, in the Middle Ages, will have been established in the area that is nicknamed Rua dos Gatos, and its sleepers, which correspond to one of the oldest housing estates of the parish

The number of Jewish individuals may have come after the decree of expulsion from Castelo, but the scant documentation does not allow for great conclusions for the time being. However, the wealth of documentation for the sixteenth, seventeenth and even the late eighteenth century allows us to conclude without difficulty that Trevões counted among his natives numerous descendants of Jewish families, and in most cases they were individuals who constituted a small local elite.

In the winter of 1558 the Holy Inquisition entered Trevões carrying out the first arrests for the sins of Judaism, but it was during the sixteenth and seventeenth centuries that the court of the Holy Office was more active. Young and less young people were taken to the jails of the Inquisition, and in a very short time the prisons were numbered. In the year 1618 that 23 individuals were arrested, many of them having a relationship of kinship with each other.

The Rebelo, Fonseca, Carvalho, Cardos, Lourenço, Mesquita, Dias, Henriques and Mendes families were persecuted. Among those accused of Judaism were lawyers, many merchants (as evidenced by the commercial dynamism of the land), shoemakers, and simple farmers, all new Christians, who saw their families destroyed.

Many vestiges of the Jewish and Christian-New heritage remain in Trevões, as in the case of the cruciform marks, signs of Christianization of their former dwellings.
Its discovery is obligatory, as well as a visit to the Museum in Trevões where two small lamps are certainly kept of tradition and Jewish or crypto-Jewish ritual, of the same model used by the Jewish community of Belmonte. But, especially, walking the quiet streets, feel and peer the laments of these times.

 

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Mapa interactivo dos vestígios encontrados